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História do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro RJ
Mosaico: A fundação do Rio de Janeiro.

A História da cidade do Rio de Janeiro, pode ser dividida em:

O período colonial:

  • O descobrimento
  • A França Antártica
  • A cidade de São Sebastião

Período Imperial e Republicano


Período Colonial: O descobrimento

A atual baía de Guanabara foi descoberta pela expedição de 1501 à costa do Brasil, segundo alguns autores, capitaneada pelo português .phpar de Lemos, em 1 de janeiro de 1502. Foi então cartografada com a toponímia "Rio de Janeiro".

Embora se afirme essa toponímia ter sido incorretamente escolhida, supondo aqueles navegadores terem acreditado tratar-de da foz de um grande rio, na realidade, à época, não havia qualquer distinção de nomenclatura entre rios, sacos e baías, motivo pelo qual o corpo d'água foi corretamente designado como rio.

Período Colonial: A França Antárctica

Colonos franceses liderados por Nicolas Durand de Villegagnon estabeleceram-se no interior da baía em 1555, com a pretensão de fundar uma colônia – a França Antártica – e uma cidade – Henriville –, mas foram expulsos pelos portugueses entre 1560 e 1567.

Antecedentes

No Verão de 1554 Nicolas Durand de Villegagnon visitou secretamente a região do Cabo Frio, na costa do Brasil, onde seus compatriotas habitualmente escambavam. Ali obteve valiosas informações junto aos Tamoios, informando-se dos hábitos dos portugueses naquele litoral, colhendo dados essenciais ao futuro projeto de uma expedição para a fundação de um estabelecimento colonial. O local escolhido localizava-se cerca de cento e cinquenta quilômetros a Oeste: a baía de Guanabara, evitada pelos portugueses devido à hostilidade dos indígenas na região. O projeto concebia transformá-la em uma poderosa base militar e naval, de onde a Coroa Francesa poderia tentar o controle do comércio com as Índias. Embora na ocasião não a tenha visitado, estava acerca dela bem informado por André Thévet, que já a havia visitado por duas vezes, estando ciente de que os portugueses receavam os Tupinambás, indígenas ali estabelecidos. Na ocasião fez boas relações com ambos os povos (Tamoios e Tupinambás) recolhendo, além de valiosas informações, uma boa carga, com a qual lucrou ao retornar à França.

Em seu retorno à Corte, fez uma demorada exposição de quatro horas ao rei de França, Henrique II, e a Diana de Poitiers, convencendo-os das vantagens de uma colônia permanente na costa do Brasil.

Em fins de 1554, o soberano ordenou ao seu principal ministro, .phpard de Coligny (ainda católico à época), a preparação de uma expedição sigilosa ao Brasil, cujo comando entregou a Villegagnon. Embora tenha fornecido recursos modestos (apenas dez mil libras), os armadores de Dieppe (base do armador Jean Ango, experiente com a costa brasileira), decidiram investir na expedição. À falta de voluntários para integrá-la, Villegagnon percorreu as prisões da região norte da França, prometendo a liberdade a quem quer que se lhe juntasse.

Para não despertar a atenção do Ministro de Portugal na França, Villegagnon fez espalhar a notícia de que a expedição se dirigia à costa da Guiné.

A viagem

A expedição zarpou de Dieppe a 14 de agosto de 1555, com duas naus e uma naveta de mantimentos, nas quais se comprimiam cerca de seiscentas pessoas. Villegagnon era protegido por uma pequena guarda pessoal de escoceses. A expedição era integrada por um índio Tabajara, na qualidade de intérprete, na companhia de sua esposa, Francesa. Acompanhava-a ainda André Thevet, que legou um relato sobre os primeiros momentos do estabelecimento: "Les singularitez de la France Antarctique". Mais tarde, ele se tornaria o principal cosmógrafo de Carlos IX de França. Por razões de saúde, entretanto, Thevet retornaria à França a 14 de fevereiro de 1556. Destacavam-se ainda, os seguintes passageiros:

  • Boissy, sobrinho de Villegagnon, senhor de Bois-le-Comte;
  • Nicolas Barré, ex-piloto, que também deixou uma memória da expedição: “Discours de Nicolas Barré sur la navigation du Chevalier de Villegagnon en Amérique” (Paris: Le Jeune, 1558)
  • Dois beneditinos, conhecedores de botânica, que criaram a primeira escola católica na Guanabara.

O objetivo da expedição era:

  • instalar núcleos colonizadores para o comércio com a Metrópole;
  • interferir no comércio marítimo com as Índias;

Após serem repelidos nas ilhas Canárias pela artilharia da guarnição espanhola de Tenerife, alcançaram a costa do Brasil, na altura de Búzios, a 31 de outubro.

O estabelecimento na Guanabara

Tendo atingido a baía de Guanabara em 10 de novembro de 1555, após tomar posse da ilha de Serigipe, escolhida como local de estabelecimento da principal defesa da França Antártica, principiou-se a instalação. Para esse fim, foram providenciados alojamentos em terra e desembarcados homens, armas, munições e ferramentas. Apesar das dificuldades com a mão-de-obra européia, gracas ao auxílio dos indígenas, uma fortificação foi concluída em três meses. Ao fim de alguns meses, entretanto, essa mão-de-obra cansou-se dos presentes que recebia, assim como do excesso de trabalho, uma vez que os franceses se esquivavam das tarefas mais pesadas. O Forte Coligny dispunha de cinco baterias apontadas para o mar.

As dificuldades

Após alguns meses, compreendendo a precariedade da sua posição, solicitou ao soberano um efetivo de três a quatro mil soldados profissionais, centenas de mulheres para casarem aqui e operários especializados.

Em 14 de fevereiro de 1556, dois dias após a partida de Bois-le-Comte e André Thevet para a França, ocorreu a primeira revolta na França Antártica: trinta conjurados liderados por um intérprete normando que fora obrigado a casar-se com uma indígena, planejaram o assassinato de Villegagnon, defendido por apenas oito homens de sua guarda escocesa.

Imaginando contar com a colaboração de um dos guardas, insatisfeito, prometeram-lhe um vultoso prêmio. O guarda, entretanto, não confiou nos rebeldes, avisando a Nicolas Barré. Denunciada, a conspiração foi abortada e reprimida exemplarmente: o líder evadiu-se, dois conspiradores foram julgados pelo Conselho da colônia e executados na forca, e os demais alcançaram penas menores.

Com relação às relações entre colonos, predominantemente do sexo masculino com as indígenas, Villegagnon exigiu o casamento dos franceses com elas perante o notário da expedição. Como resultado, muitos franceses fugiram para a floresta, passando a viver entre os indígenas. Alguns casaram-se contra a vontade, outros rebelaram-se e foram punidos, até mesmo ameaçados de morte.

Patentes as dificuldades de disciplina, crescia o descontentamento entre os colonos, muitos franceses tendo aproveitado a visita de navios mercantes para retornar ao país. Um outro ponto de atrito foi a discordância de Villegagnon quanto à prática da antropofagia por seus aliados Tupinambás.

Henriville

A etapa seguinte foi a instalação da colônia em terra firme, na região da atual praia do Flamengo, entre a foz do rio Carioca e o outeiro da Glória, o que se iniciou em meados de 1556. Denominada de Henriville, em homenagem ao rei Henrique III de França, foi erguida com os tijolos fabricados em uma olaria assinalada nas ilustrações da época como "briqueterie. As suas casas foram destruídas pelo assalto português de 1560: ali viviam cerca de sessenta franceses, conforme carta de Villegagnon ao Duque de Guise. A existência da "briqueterie" e de um povoamento supostamente chamado "Henriville" é confirmada apenas por Thevet: as crônicas portuguesas da época ignoram a povoação e Jean de Léry diz simplesmente que ela nunca existiu.

Um refúgio huguenote

O comércio francês com a baía de Guanabara, a esta altura, já se desenvolvia com regularidade. Entretanto, acirrando-se as lutas religiosas na França, tendo Coligny se convertido à Reforma Protestante, começou a cogitar na França Antártica como um possível refúgio para os huguenotes.

Dessa forma, estando o rei da França impossibilitado de enviar os recursos requisitados por Villegagnon, por falta de meios à época, .phpard de Coligny solicitou a Genebra, reduto Calvinista, que levasse um grupo de Calvinistas ao Brasil, a fim de estudar a possibilidade de para ali transferir milhares de protestantes perseguidos na França. Foram, desse modo, indicados dois pastores:

  • Pierre Richer, um homem maduro, de cerca de cinquenta anos de idade; e
  • Guillaume Chartier, um jovem que ainda estudava Teologia em Genebra.

Nove outros indivíduos foram aceitos no grupo, ao qual se juntou ainda Jean de Lery. Os gastos correram por conta de Coligny e do próprio Villegagnon.

O grupo partiu da França a 19 de novembro de 1556, em três barcos, comandados por Bois-le-Compte. Transportavam, no total, cerca de trezentas pessoas, inclusive cinco moças para se casarem no Brasil. Sem poder abastecer-se nas Canárias, necessitaram assaltar navios portugueses e espanhóis para obter água e provisões, racionados durante a viagem, marcada, de resto, pela indisciplina a bordo. A 26 de fevereiro de 1557 chegavam à baía de Guanabara. Embora decepcionado com o modesto reforço, Villegagnon acolheu afavelmente os recém-chegados, tendo escrito a Calvino a carta de 31 de março de 1557, na qual expôs as suas dificuldades.

Quando os pastores calvinistas regressaram à França no início de 1558, Villegagnon dispunha apenas de oitenta homens, entre franceses e escoceses. Diante das acusações dos calvinistas, na França, Villegagnon retornou para justificar-se (1559), deixando em seu lugar o sobrinho, Bois-le-Compte, à testa do estabelecimento.

A expedição de 1560

Em meados de 1557, com a morte de D. João III, assumiu como Regente a sua esposa, Catarina de Áustria, uma vez que o herdeiro do trono português, D. Sebastião era apenas uma criança.

Na ausência de Villegagnon, em 1559, o terceiro Governador-Geral do Brasil, Mem de Sá (1558-1572), tendo recebido em Salvador informações do trânsfuga Jean de Cointa e, em novembro desse ano, o reforço da frota sob o comando de Bartolomeu de Vasconcelos Cunha, preparou uma expedição para o assalto à Guanabara.

Em duas naus e oito embarcações menores, fez vela para o Sul, com escalas nas Capitanias de Ilhéus, Porto Seguro e Espírito Santo, onde recebeu reforços. As suas forças alcançaram a Guanabara a 21 de fevereiro, capturando uma nau francesa, carregada. Entretanto, apenas a 15 de março, após receber os contingentes aguardados da Capitania de São Vicente, Mem de Sá enviou um ultimato ao comandante do forte: era uma sexta-feira, pelas quatorze horas.

Bois-le-Compte respondeu afirmando a sua intenção de defesa da praça, rompendo as hostilidades ao entardecer do próprio dia 15. Os portugueses foram bem sucedidos no ataque à que chamaram "ilha das Palmeiras", conseguindo conquistar o Forte na madrugada de 16 para 17, arrasando-o no dia 17, um domingo.

Mem de Sá retornou a Salvador, sem no entanto, deixar guarnição na Guanabara, de vez que não dispunha de gente e nem de recursos para tal. Os defensores franceses que, entretanto, conseguiram se evadir para o continente com o auxílio dos nativos, continuaram nos meses seguintes, as suas atividades de comércio em terra firme.

A expedição de 1567

Antecedentes

Persistindo o comércio francês na Guanabara, diante da insistência do padre Manoel de Nóbrega, de que se devia fundar uma cidade na região, à semelhança da fundação de Salvador, D. Catarina de Áustria encarregou dessa missão Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, e que fora o encarregado de levar as notícias da destruição do Forte Coligny ao reino.

Para esse fim, Estácio recebeu da Regente o título de Capitão-mor, poderes e instruções para expulsar definitivamente os franceses da região. Aportou a Salvador, em 1563, à frente de uma pequena frota, tendo recebido reforços de gente e de canoas, além de provisões.

O primeiro contato

No início do ano seguinte, as gentes e os meios assim reunidos, partiram para o Sul, trazendo consigo o Ouvidor-mor Braz Fragoso. No Espírito Santo, a expedição recebeu o reforço do Capitão Belchior de Azevedo e do chefe Araribóia, à frente de guerreiros Temiminós, inimigos dos Tamoios.

A 6 de fevereiro, a frota ancorou fora da barra da Guanabara. Após incursão de reconhecimento, ao penetrar na barra, Estácio percebeu no interior da baía uma nau francesa, de imediato perseguida pela galé de Paulo Dias Adorno, a bordo da qual seguiam Duarte Martins Mourão, Belchior de Azevedo e Braz Fragoso. A nau francesa foi apresada para a Coroa, e o seu comando entregue a Antônio da Costa.

Após essa vitória inicial, Estácio enviou emissário à Capitania de São Vicente, convocando os jesuítas Anchieta e Nóbrega. Ciente, entretanto, de que os Tamoios se encontravam novamente em guerra com os colonos naquela Capitania, decidiu, em Concelho, que a frota se dirigiria a São Vicente.

À saída da barra, precedendo as demais embarcações, a nau francesa e um caravelão comandado por Domingos Fernandes foram rijamente atacadas por franceses e uma grande quantidade de indígenas em canoas. No fragor da batalha, veio a perecer Domingos Fernandes. A frota conseguiu forçar a barra, desembaraçando-se das canoas indígenas e rumando para São Vicente.

Nesse ínterim, entretanto, a embarcação que se dirigira aquela Capitania, retornava para a Guanabara, onde aportou próximo à ilha de Villegagnon, onde desembarcaram Anchieta e Nóbrega (31 de Março, Sábado de Aleluia). No despontar da alvorada foram atacados por canoas dos Tamoios, disparando flechas. Cercados, foram salvos pela frota de Estácio de Sá, que retornara para se abrigar, devido ao mau tempo fora da barra.

Os reforços em São Vicente

Reunidos Estácio, Anchieta e Nóbrega, confirmaram a deliberação de seguir para São Vicente, a fim de reunir reforços e provisões, tendo ali chegado finalmente, a 2 de abril.

Estácio de Sá e suas forças permaneceram nove meses em São Vicente, procedendo reparos nas embarcações e nas defesas da baixada santista, reunindo reforços de gentes e suprimentos. Partiram em 22 de janeiro de 1565, com o reforço do padre Gonçalo de Oliveira e do irmão de Anchieta, que saíram de Bertioga a 27 do mesmo mês, com cinco navios pequenos, transportando mamelucos e indígenas de São Vicente e de Cananéia. A eles se juntaram os Tupiniquins e os conversos do Colégio de São Paulo.

A fundação do Rio de Janeiro

Finalmente, a 1 de março, Estácio de Sá desembarcava a sua gente numa estreita praia entre o morro do Pão-de-Açúcar e o morro Cara de Cão, iniciando imediatamente a construção de uma paliçada (atual Fortaleza de São João) e declarando fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, uma homenagem ao nome do soberano. Na ocasião, o padre Gonçalo de Oliveira entronizou, numa ermida de taipa, coberta de sapê, uma imagem de São Sebastião, que passava a ser o padroeiro da cidade. O próprio Estácio instituiu, na ocasião, as três setas do martírio do santo como armas da cidade.

Ainda com os primeiros muros sendo levantados, a recém-fundada cidade sofreu um assalto por mar, a 6 de março, desfechado por três naus francesas e mais de cento e trinta canoas de guerra procedentes do Cabo Frio. Após alguns dias resistindo ao assalto, Estácio decidiu passar ao contra-ataque, acometendo as embarcações francesas e logrando repelí-las.

Nomeou Pero Martins Namorado como Juiz Odinário da nova cidade. Passou então, em Julho, a distribuir sesmarias a todos os que as solicitassem, iniciando por Pedro Rodrigues. No mesmo mês, atendendo aos moradores da fortificação, que lhe solicitavam terras para rocio e para a instalação definitiva da cidade, concedeu-a:

  • légua e meia a começar da Casa de Pedra;
  • ao longo da baía até onde [ela] se acabar;
  • para o sertão, a mesma légua e meia; e
  • que irá saindo a costa do mar bravo.

A 24 de julho de 1565, realizou-se a cerimônia de posse, tendo Estácio de Sá e os seus homens formado um grande cortejo.

Foram nomeados, posteriormente, João Prosse (Procurador do Concelho), Antônio Martins (Meirinho), Pedro da Costa (Tabelião do Público e Judicial). Enquanto isso, os combates prosseguiam, esporádicos, com os indígenas. Durante esse ano de 1565, foram concedidas trinta e três sesmarias, entre as quais a da Companhia de Jesus, na pessoa do padre Gonçalo de Oliveira. No ano seguinte foram concedidas mais vinte e duas sesmarias. Entre estas, encontravam-se as do francês Marim Paris, um dos ex-colonos de Villegagnon, Duarte Martins, Oficial de Olheiro e Fernão Valdez.

A lenda de São Sebastião

Guaixará, cacique dos indígenas do Cabo Frio, organizou um grande assalto no mês de julho. Emboscados atrás de um morro, surpreenderam Francisco Velho, que cruzava a barra em busca de madeira. Tendo a manobra sido percebida pelos vigias de Estácio de Sá, no arraial reuniram-se forças apressadamente, partindo quatro canoas em socorro de Francisco Velho. Quando em perseguição aos Tamoios, as canoas portuguesas com Estácio de Sá foram cercadas de pouco adiantando os tiros da roqueira instalada na canoa do próprio Estácio. No auge da luta, a pólvora para a roqueira explodiu na canoa portuguesa, erguendo no ar uma espessa nuvem de fumaça. Neste momento, a mulher do cacique Guaixará, tomada de pânico, começa a gritar, alastrando o pânico entre os Tamoios, que debandaram. Os povoadores, atribuindo o fato a um milagre, acorreram à Capela de São Sebastião, rendendo-lhe graças pela salvação de suas vidas. Nascia desse modo a lenda atribuída aos Tamoios da aparição de um jovem guerreiro vestido com armadura, durante o combate, passando de uma para outra canoa portuguesa, causando pânico ao inimigo, assim como a tradição, conservada por séculos, de se simular combates de canoas nas águas da baía, como comemoração pelo Dia do Padroeiro.

Estácio combateu os franceses durante mais dois anos. Ajudado por um reforço militar enviado pelo tio em 20 de janeiro de 1567, ele impôs uma derrota final às forças francesas e definitivamente expulsou-as do Brasil, mas faleceu um mês depois de ferimentos sofridos durante a batalha.

Conseqüências da França Antarctica

Em resposta às tentativas francesas de conquistas territoriais no Brasil (a outra foi chamada de França Equinocial e aconteceu na atual cidade de São Luís (Maranhão), entre 1612 e 1615), a coroa portuguesa decidiu intensificar a colonização do Brasil e melhorar seu status.

Período Colonial: A cidade de São Sebastião

A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada por Estácio de Sá em 1° de março de 1565, quando desembarcou num istmo entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, erguendo uma paliçada defensiva.

A vitória de Estácio de Sá subjugando elementos remanescentes franceses (os quais, aliados aos Tamoios, dedicavam-se ao comércio, ameaçando o domínio português na costa do Brasil), garantiu a posse do Rio de Janeiro, rechaçando a partir daí novas tentativas de invasões estrangeiras e expandindo, à custa de guerras, seu domínio sobre as ilhas e o continente. A povoação foi refundada no alto do Morro do Castelo (completamente arrasado em 1922), no atual centro histórico da cidade. O novo povoado marca, de fato, o começo da expansão urbana.

Durante quase todo o século XVII a cidade teve um desenvolvimento lento. Uma rede de pequenas ruelas conectava entre si as igrejas, ligando-as ao Paço e ao Mercado do Peixe, à beira do cais. A partir delas, nasciam as principais ruas do atual centro. Com cerca de 30 mil habitantes na segunda metade do século XVII, o Rio de Janeiro tornara-se a cidade mais populosa do Brasil, passando a ter importância fundamental para o domínio colonial.

Essa importância tornou-se ainda maior com a exploração de jazidas de ouro em Minas Gerais, no século XVIII: a proximidade levou à consolidação da cidade como proeminente centro portuário e econômico. Em 1763, o ministro português Marquês de Pombal transferiu a sede da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro foi a capital do Brasil de 1763 a 1960, quando o governo foi transferido para Brasília. Atualmente é a segunda maior cidade do país, depois de São Paulo. Entre 1808 e 1815 foi a capital do Reino de Portugal e dos Algarves, como era oficialmente designado Portugal na época. Entre 1815 e abril de 1821, sediou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, após elevação do Brasil a parte integrante do Reino Unido.

Nos séculos XVIII e XIX, muitas casas e fazendas tinham nascentes e poços em seus terrenos. Também havia chafarizes, fontes e bicas, nas quais os moradores buscavam água e a carregavam em potes, barris ou baldes. Outra forma de se conseguir água era comprá-la dos "aguadeiros", escravos que percorriam as ruas em carroças vendendo água de casa em casa. Segundo relatos do professor alemão Hermann Burmeister em seu livro Viagem ao Brasil, publicado em 1853:

"O aqueduto da Carioca termina no morro de Santo Antônio, no chafariz da Carioca, ao lado de um logradouro que tem o mesmo nome, oferecendo pelas ruas bicas metálicas o líquido aos pretos carregadores d'água, que constantemente a ocupam."

Período Imperial e Republicano

Após a Independência, a cidade continua como capital, enquanto a província enriquece com a agricultura canavieira da região de Campos e, principalmente, com o novo cultivo do café no Vale do Paraíba. De modo a separar a província da capital do Império, a cidade foi convertida, no ano de 1834, em Município Neutro, passando a Província do Rio de Janeiro a ter Niterói como capital.

Como centro político do país, o Rio concentrava a vida político-partidária do Império. Foi palco dos Movimentos Abolicionista e Republicano. Durante a República Velha, com a decadência de suas áreas cafeeiras, o estado perde força política para São Paulo e Minas Gerais.

Com a Proclamação da República Brasileira, nas últimas décadas do século XIX e início do XX, o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sociais advindos do crescimento rápido e desordenado. Com o declínio do trabalho escravo, a cidade passara a receber grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado. Entre 1872 e 1890, sua população duplicou, passando de 274 mil para 522 mil habitantes.

O aumento da pobreza agravou a crise habitacional, traço constante na vida urbana do Rio, desde meados do século XIX. O epicentro dessa crise era ainda, e cada vez mais, o miolo central – a Cidade Velha e suas adjacências –, onde se multiplicavam as habitações coletivas e eclodiam as violentas epidemias de febre amarela, varíola, cólera-morbo, que conferiam à cidade fama internacional de porto sujo.

Muitas campanhas de erradicação, perpetradas pelos governos da época, não foram bem recebidas pela população carioca. Houve várias revoltas populares, entre elas, a Revolta da Vacina, de 1904, que também teve como causa a tomada de medidas impopulares, como as reformas urbanas do Centro, executadas pelo engenheiro Pereira Passos. Nessas reformas foram demolidos vários cortiços e, a população pobre da Região Central, deslocada para as encostas de morros, na Zona Portuária e no Caju, sobretudo os Morros da Saúde e da Providência. Tais povoamentos cresceram de maneira muito desordenada, dando início ao processo de favelização (ainda não muito preocupante na época) – o que não impediu a adoção de várias outras reformas urbanas e sanitárias que modificaram a imagem da então capital da República.

Após a transferência da Capital Federal para Brasília em 1960, o Rio até 1975 foi transformado numa cidade-estado com o nome de Estado da Guanabara. Ocorreu então a fusão com o antigo Estado do Rio de Janeiro em 15 de março de 1975, e em 23 de julho foi promulgada a Constituição do Estado do Rio de Janeiro.

Em 1992, sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUCED), mais conhecida como Rio-92, ou ECO-92 – a primeira reunião internacional de peso a se realizar após o fim da Guerra Fria, com a presença de delegações de 175 países.

Foi sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007, ocasião à qual realizou investimentos em estruturas esportivas (incluindo a construção do novo Estádio Olímpico João Havelange) e nas áreas de transportes, segurança pública e infra-estrutura urbana.

Fonte: Wikipedia

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