Multifuncionais a laser conquistam o Brasil
A adoção de multifuncionais a laser no Brasil não pára de crescer. O aparelho capaz de fazer impressão, digitalização, ligações telefônicas e enviar fax faz sucesso no mercado.
Os modelos mais simples podem ser encontrados à venda por cerca de 800 reais. O ritmo explosivo de adoção destes aparelhos é justificado pela forte queda nos preços, o que fez com que a escolha por ele se tornasse interessante para as médias e pequenas empresas, além de usuários domésticos. A adoção das multifuncionais a laser começou em 2005 nas corporações. O que mudou, hoje, e que está causando essa explosão, foi a entrada forte do segmento SMB (pequenas empresas) e dos usuários domésticos. O principal motor de aquecimento de vendas no mercado brasileiro é o custo baixo. Quem tiver melhor preço, tem vantagem. Mas, quando se fala em empresas, pesam também os serviços agregados como uma gestão de impressão que monitore os usos.
Sobre participação do mercado, dados do Gartner apontam que, no setor de impressoras e multifuncionais com tecnologia laser na América Latina, a HP lidera com uma participação de mercado de 52,5%, enquanto a Lexmark tem 11,7% e a Samsung fica com 11,5%. Mesmo com todas as boas perspectivas, ainda não há uma empresa líder dominando o mercado de multifuncionais a laser.
Variando trimestre a trimestre, os grandes fornecedores estão competindo oferta a oferta, preço a preço, para conquistar maior participação de mercado. Como a demanda não pára de crescer e o segmento é relativamente novo, as oportunidades estão equiparadas para todos os concorrentes.
A maior parte dessa explosão está na compra de modelos de multifuncionais mais básicos, que tem preços mais acessíveis e fomentam a competição por centavos entre os fornecedores, mas geram ganho em escala. A forte queda nos preços está gerando um aumento não só nas compras das multifuncionais, mas também nas impressoras a laser convencionais. A curva acentuada na queda de preços é expressiva e a tendência é continuar a crescer. Isso leva os equipamentos a mercados como de usuário final e de pequenas empresas
Mesmo com o ritmo crescente na adoção das multifuncionais a laser no Brasil, o País ainda está muito atrás da taxa de adoção registrada na América Latina e, especialmente, no México. O Brasil ainda é um país jato de tinta. O primeiro modelo low-end da empresa HP em multifuncional laser chegou em outubro de 2006, e a HP quer conquistar 35% do segmento no País.
O segmento de multifuncionais a laser é o mais disputado no Brasil. Como ele nasceu nas grandes corporações, as fornecedoras não precisavam nem de atuação local, tinham poucos clientes disponíveis. Com o crescimento, existem diversos fornecedores prontos para disputar o mercado. O segmento é tão competitivo que acaba de receber um novo concorrente. Vendo as perspectivas do setor, a Oki Data anunciou a entrada em multifuncionais monocromáticas a laser no Brasil com dois modelos importados. Num primeiro momento, a empresa pretende conquistar entre 1% a 3% deste setor.
Concorrência desleal irrita os maiores fornecedores legalizados
Por outro lado, o crescimento das multifuncionais a laser está levando a uma canibalização do mercado de impressoras. Em outras palavras, as compras de impressoras não estão caindo por conta da expansão das multifuncionais. A adoção de multifuncionais está corroendo o mercado de impressoras. Como é um setor bastante dependente de preço, métricas como preço por página ainda não estão sendo avaliadas no momento da compra. Como o usuário está comprando seu primeiro multifuncional, estamos vendo a chegada de produtos de baixa qualidade da China ou mesmo remanufaturados, e é preciso ter muito cuidado. A concorrência pode inclusive ser desleal, a mercadoria entra de forma questionável no país e, em médio e longo prazo, isso vai pesar para os fornecedores tradicionais.
A questão com os aparelhos remanufaturados e daqueles importados ilegalmente, está em quem assume os custos da garantia. No entanto, a questão mais delicada está nos suprimentos. Sabemos que os suprimentos pesam muito para obter lucro no modelo de negócios em impressão e a concorrência das empresas que importam o pó da China é complicada. Existem muitas empresas que estão importando da China as cores em pó que são utilizadas nos toners para oferecer um preço muito mais baixo do que o de mercado. Se os fornecedores não estruturarem uma rede para coleta de cartuchos e se o governo não combater, a situação vai ficar cada vez pior. No final quem perde é o usuário. O cliente é quem paga o preço.
O custo dos aparelhos poderia cair ainda mais se a concorrência desleal fosse resolvida. |