High-end, o máximo em áudio e vídeo
Antigamente a expressão “high-end” era sinônimo de excelentes produtos. Eram equipamentos de som, e ao longo do tempo, passou a ser usada também em outros segmentos. Computadores, por exemplo: os produtos da Apple foram (alguns continuam sendo) apontados pelos experts como “high-end” em informática.
Com o tempo, essa definição foi sendo banalizada, até o ponto em que mesmo fabricantes de produtos populares chegam a usá-la sem a menor cerimônia. Um televisor apenas mediano ganha material promocional identificando-o como “high-end”, apenas porque seu design é um pouco mais avançado! Com a desinformação atual (curiosamente resultante do excesso de informação), muitos consumidores perderam a referência do que vem a ser, de fato, um produto high-end.
Vamos elucidar o conceito.
Este surgiu praticamente junto com a indústria eletrônica de consumo, para designar os produtos mais avançados, em oposição aos “low-end”, que seriam os de qualidade mais baixa. Criou-se ainda uma categoria intermediária, que ficou conhecida como “mid-end”. Assim, para a maioria dos produtos o consumidor tem sempre três opções, no mínimo. Só que essa divisão não é tão rígida quanto devem ter imaginado os criadores do conceito.
Os grandes fabricantes sempre se ocuparam mais com os equipamentos low-end, pois precisam de escala industrial. Têm que vender grandes quantidades, e isso exige custos de produção baixos para se praticar preços acessíveis. Disso vive a indústria como um todo. Mas não quer dizer que todos os produtos feitos por essas empresas sejam de qualidade inferior; ao contrário, como são as que possuem maiores orçamentos para pesquisa, esses fabricantes são capazes de atingir resultados excelentes, em muitos casos.
Mas sempre existiram profissionais insatisfeitos com a qualidade dos produtos de massa. Alguns deles se uniram para criar empresas que não dependessem tanto das quantidades produzidas, mas que enfatizassem a qualidade e a criatividade. E acabaram introduzindo no mercado marcas que se tornaram referência de qualidade.
Nomes que quando são mencionados ninguém levanta dúvidas sobre sua performance: Mark Levinson, Jeff Rowland, Conrad Johnson, McCormack, Faroudja, Technics, Meridian, Clearaudio, Wilson Audio, Bowers & Wilkins (B&W), Revel... a lista é grande. Mas ao mesmo tempo pequena, se comparada à infinidade de marcas populares, a maioria delas vindas da Ásia, que ocupam as prateleiras das grandes lojas.
Uma marca verdadeiramente high-end jamais será encontrada num magazine, por exemplo, pois o DNA desses produtos inclui uma distribuição seleta, com exposição e demonstração adequadas, feitas por profissionais preparados para essa tarefa. Por isso também, é difícil encontrá-los: são poucas as lojas capacitadas a demonstrar equipamentos high-end, de modo que o consumidor saiba exatamente o que está comprando e como extrair o máximo daquele investimento.
Aliás, a palavra “investimento” cabe aqui perfeitamente: adquirir um aparelho de alto padrão significa aplicar alguns milhares de reais (ou dólares, ou euros). E, a menos que você seja do tipo que gosta de rasgar dinheiro, é importante saber investir. Não que todo produto de qualidade seja necessariamente caro, mas essa – infelizmente, para quem gosta – é a regra, não a exceção.
Agora, além do custo e dessa imagem superior, o que mais diferencia um aparelho high-end de um, digamos, comum? A principal diferença talvez não possa ser vista pelo consumidor: os fabricantes de equipamentos high-end são empresas dedicadas ao ofício, geralmente dirigidas por técnicos de respeito que não estão (muito) preocupados com as disputas de mercado; seu interesse – pode-se mesmo dizer obsessão – é fabricar produtos de alto desempenho, com acabamento refinado e que durem muitos anos. Só esse fato já deve servir para marcar a distinção em relação aos produtos de massa.
Um aparelho high-end é feito para ser usado por anos a fio sem queda de qualidade, enquanto a maioria dos produtos populares tem vida útil curta (quando não é descartável). Para isso, os fabricantes vivem buscando os componentes mais apropriados, e isso, como se sabe, não custa barato. Alguns preferem até produzir eles mesmos as peças de seus produtos, ou mandar fabricá-los sob encomenda por fornecedores confiáveis.
Outra diferença entre os fabricantes de produtos de massa e os de alto padrão está na forma como promovem seus equipamentos. Claro, cada um diz que o seu é melhor. Mas o pessoal do high-end costuma explicar detalhadamente por que! Para isso, existem medições feitas em laboratório, com critérios adequados. Ao ler as especificações de um aparelho, é importante saber como se chegou àquele resultado. Procure saber. Infelizmente, nem todas as empresas divulgam, e este é um bom indicador sobre a qualidade do produto que você está prestes a comprar. Esse cuidado todo inclui, é claro, o acabamento final do produto.
Você não vai encontrar aparelhos high-end com acabamento ruim, e aí está outra referência valiosa: se não for um produto com boa aparência, não é high-end. No entanto, como dissemos, as maiores qualidades de um aparelho às vezes não podem ser vistas.
Como fazer, então, para escolher?
Seguem abaixo algumas dicas práticas:
- Ouvir muito. Nada substitui seu ouvido. Visite lojas especializadas, que tenham bons show-rooms, faça comparações, anotações, pergunte.
- O parágrafo acima deve incluir audições ao vivo. Procure assistir a bons espetáculos de música, preferencialmente música instrumental, apresentada em espaços com boa acústica.
- Aliás, a música tocada é fundamental na avaliação de qualquer aparelho, seja uma caixa acústica, amplificador, receiver ou mesmo cabos e conectores.
- Acostume-se a prestar atenção na música que você ouve e nos filmes que assiste. Mesmo no cinema, é importante diferenciar claramente os diálogos das trilhas musicais e dos efeitos sonoros.
- E pesquise muito. Procure ler bastante sobre equipamentos e reprodução sonora. Busque sites e fóruns de discussão na internet, e revistas especializadas, tomando cuidado para não se impressionar com falsas especificações, nem se deixar levar por testes e críticas “independentes”. É difícil, mas vale a pena.
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