Como ajustar o áudio do seu Home Theater
Um sistema de áudio para home theater começa com o compromisso de nunca subestimar a qualidade do equipamento. Vamos partir do princípio de que você já escolheu um bom receiver ou controlador / amplificador A/V, um bom DVD player e um sistema de pelo menos cinco caixas acústicas com subswoofer ativo, além de cabos de boa qualidade.
Vamos então às dicas gerais para ajuste do sistema.
Posicionamento das caixas
Depois de acomodar devidamente os móveis de sua sala, colocar cada aparelho no seu lugar e fazer as conexões básicas, o passo seguinte é o posicionamento correto das caixas acústicas.
Dica: deixe para fazer as conexões finais quando você tiver certeza de onde vai querer posicionar as caixas. Comece colocando a caixa central junto ao display. Pode ser um pouco acima ou um pouco abaixo, mas a face frontal da caixa deve ficar no mesmo plano da tela, de frente para a área de audição. Evite colocar essa caixa próximo de superfícies reflexivas (como prateleiras apertadas), que possam abafar o som.
Em seguida, coloque as caixas direita e esquerda em posições simétricas, ao lado do display; imagine que o ouvinte ficará sentado de frente para a tela, numa linha reta direcionada exatamente para o centro do display; as caixas frontais devem ficar num ângulo de 30o dessa linha, à direita e à esquerda, com o tweeter na altura dos ouvidos.
Outra dica: procure formar com as três caixas frontais uma espécie de arco (não uma linha reta), em que todas fiquem à mesma distância da posição de audição – aconselha-se usar uma fita métrica para isso. Outra coisa: as caixas direita e esquerda devem ser anguladas da mesma forma, voltadas para o centro da sala, e não paralelas às paredes laterais.
A seguir, é hora de posicionar corretamente as caixas traseiras.
Em sistemas 5.1, ambas devem ficar alinhadas com as paredes e atrás da posição de audição – aproximadamente a 110o para esquerda e direita, respectivamente, considerando o alinhamento com a caixa central frontal. Para sistemas 7.1, você irá acrescentar os canais de surround-back esquerdo e direito, sendo que as caixas devem ficar em posições simétricas nas paredes laterais, em ângulo de aproximadamente 150o em relação ao centro – e acima da altura dos ouvidos.
Dicas: se estiver usando caixas do tipo dipolar, elas devem ser direcionadas para o centro da área de audição, o que permitirá que o som surround seja reproduzido de forma difusa. Finalmente, posicioneo subwoofer de acordo com as orientações do fabricantes. Alguns modelos são desenhados para ficar nos cantos da sala, outros não.
Lembre-se que o objetivo é a máxima qualidade (e não quantidade) na reprodução dos graves. Se você perceber problemas como graves muito direcionados, ou difíceis de distinguir, tente mudar o sub de lugar, sempre tomando cuidado para que sua distância em relação às paredes frontal e traseira sejam diferentes (isso ajuda a evitar o problema das ressonâncias). Quando estiver plenamente satisfeito com a posição das caixas, aí sim é hora de fazer as conexões finais dos cabos.
É recomendável deixar alguma folga para futuros ajustes, se necessário, e sempre ocultar os cabos em canaletas, que também têm a função de protegê-los. Em certos casos, recomenda-se também colocar spikes nas caixas de piso, para dar mais firmeza e conter as vibrações.
Configurações
A maioria dos receivers e controladores de áudio/vídeo possuem recursos para ajustar as caixas acústicas de um sistema de home theater. Geralmente, o primeiro passo no menu é definir a configuração de caixas que você está usando: 5.a, 6.a ou 7.1, em que a expresão “.1” se refere ao subwoofer.
Comece selecionando no menu o item que corresponde à configuração geral do sistema (SETUP), e a partir daí vá indicando o tamanho de cada caixa; lembre-se de “informar” ao equipamento se você está ou não usando um subwoofer. Por uma convenção estabelecida entre os profissionais da indústria, nesses menus as caixas do tipo full-range – que reproduzem igualmente graves, médios e agudos – são denominadas “large”; enquanto as caixas que necessitam de reforço nos graves aparecem sob a identificação “small”.
Freqüência do subwoofer
O passo seguinte é selecionar uma freqüência apropriada para o crossover do subwoofer – ou seja, a freqüência abaixo da qual o sub assumirá a reprodução, liberando as demais caixas. Como a maioria dos receivers e processadores só permitem escolher uma freqüência de crossover, a ser aplicada a todas as caixas do tipo “small” usadas no sistema, o melhor é escolher uma freqüência que dê um bom suporte de graves para as caixas que produzem menos graves por si. Exemplo: se suas caixas principais chegam até 65Hz, mas as surround atingem somente 80Hz, melhor definir a freqüência de corte do subwoofer também em 80Hz. Isso permitirá passagens mais suaves em todos o sistema, evitando gaps entre as freqüências.
Você pode usar como referência as especificações de suas caixas acústicas. Note que alguns receivers e controladores A/V oferecem vários pontos de corte do crossover para cada canal. Aconselha-se combinar o ajuste com a especificação de cada caixa.
Distância entre as caixas
Depois de definido o ponto de corte do subwoofer, é hora de ajustar no menu do receiver as distâncias entre as caixas (ou o chamado delay). Esse ajuste garante que os sons cheguem à posição de audição no tempo exato pretendido pelos engenheiros de som e pelo diretor do filme. Quase todos os receivers e processadores têm menus onde se pode especificar a distância entre sua posição de audição e cada uma das caixas, inclusive o subwoofer. Use uma fita métrica para determinar essas distâncias e digite-as no controle remoto, inserindo-as nos respectivos campos do menu. Para maior precisão, faça a medição a partir de um ponto único, no centro da sala, até o centro de cada caixa. Com as distâncias inseridas no menu, você está pronto para o delicioso processo de ajustar o nível de cada caixa (finalmente, agora você vai poder ouvi-las em ação).
Praticamente todos os receivers e controladores oferecem o teste chamado “ruído rosa” (pink noise), no qual o som de cada canal é reproduzido em seqüência para que você identifique se o nível de volume está adequado. Tome cuidado ao fazer esse teste (também chamado test-tone); evite tocar em volume muito alto. Sua tarefa é usar o menu para ajuste o nível de volume de cada canal, individualmente, até que todos estejam devidamente balanceados. Com a prática constante, é possível fazê-lo de ouvido, mas para maior precisão e resultados mais confiáveis recomenda-se um bom (e não muito caro) medidor de nível de pressão sonora (SPL, de “sound pressure level”). Mesmo sem esse acessório, porém, o importante é usar o canal central como referência e ouvir atentamente o test-tone para determinar se algum canal necessita de mais (ou menos) volume.
Evidentemente, todos os canais devem operar em volumes equivalentes ao do canal central. Ao fazer os ajustes, tente primeiro balancear a saída dos canais frontais (esquerdo e direito), já que ambos, juntamente com o canal central, compõem o grosso da massa sonora. Em seguida, ajuste as caixas traseiras com as frontais. E, finalmente, verifique o nível de volume do subwoofer comparado ao restante do sistema.
Ajuste fino do subwoofer
Você já está quase pronto para testar seu sistema com música e filmes, mas antes disso é recomendado alguns testes específicos do subwoofer. O objetivo é casar harmoniosamente os níveis de saída de graves do sub e das caixas frontais, e para isso é necessário ajustar o chamado controle de fase do subwoofer. Com isso, conseguimos sincronizar casar os níveis .
Tente ouvir gravações que contenham sons repetidos de graves-baixos, como algumas canções que incluem acompanhamento contínuo de bateria ou bumbo. Depois, ajuste o controle de fase até obter a melhor combinação entre volume e clareza. Se você perceber problemas de direcionamento (os graves não devem soar direcionados, e sim difusos), tente posicionar o subwoofer um pouco mais longe da parede. Isso ajuda a melhorar a clareza dos graves. Podem ser necessárias várias tentativas até atingir resultados satisfatórios. Mas, uma vez encontrada a posição ideal do subwoofer e feito o ajuste de fase, talvez você necessite ainda reajustar as distâncias no menu.
Testes de audição
A checagem final do seu sistema de home theater deve incluir audições de música e de filmes, utilizando os modos de surround do receiver ou processador. No caso dos filmes, é importante ouvi-los em suas trilhas Dolby Digital e DTS, mas saiba que os testes mais difíceis (e também mais reveladores) são os feitos com boas gravações musicais. Normalmente, os passos descritos acima são suficientes para aproximar você do chamado “som ideal”.
Mas não fique surpreso se forem necessários alguns ajustes finos para atingir o que se chama de “imagem surround”. O objetivo deve ser um “anel” de sons harmonioso circundando sua sala. Não tenha medo de fazer pequenas alterações na disposição das caixas, ou nos ajustes do menu, se achar que isso lhe dá um resultado sonoro mais agradável. Faz parte da brincadeira. E, se ficar em dúvida, deixe-se guiar por seus ouvidos.
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