A água deve ter seu custo inserido nas planilhas orçamentárias de uma obra?
Desde 2007, várias bacias hidrográficas em todo o Brasil começaram a organizar comitês gestores, com o objetivo de recolherem as taxas de uso da água. E em muitas cidades, é cobrada a taxa de coleta e tratamento de esgoto, junto com a fatura da água tratada (mesmo que a cidade não disponha de uma ETE).
O que temos observado, é que cada vez mais a água é um bem precioso, e que gradualmente vêm aumentando seus custos para obtenção e tratamento.
É sabido que na cidade de São Paulo, um metro cúbico de água tratada tem o custo de captação, purificação e distribuição 12 vezes maior do que numa cidade como Caxambu-MG ou Lindóia-SP. E esses custos estão sendo repassados por todas as distribuidoras de água.
Então está na hora de engenheiros orçamentistas se prepartarem para incluir esses novos custos em suas tabelas. A água ainda não é encarada como um produto que tem valor, não é entendida como um insumo ou material de construção. A maioria das tabelas de custos dos serviços de engenharia não exibem o item água.
O valor do metro cúbico de água tratada (1000 litros) no ano de 2011 variou de R$ 0,25 a R$ 1,40 no estado de Minas Gerais. A variação pode ocorrer devido ao volume usado e cidade atendida. Agora vamos a alguns exemplos:
Compactação de 20 metros cúbicos de aterro: 6000L = até R$ 8,40
Confecção de 10 metros cúbicos de concreto: 1800L = até R$ 2,52
Como se trata de um produto usado em quase todos os serviços de engenharia, esses vaores chamam a atenção. Também devemos calcular que a água pode ser uma ferramenta ( nos trabalhos de limpeza, resfriamento e cura do concreto) ou outro componente importante (nos concretos e argamassas e na compactação dos aterros).
Seu uso correto implica diretamente na qualidade, tempo de execução e segurança da obra.
As qualidades químicas da água, sua pureza e os parâmetros das normas técnicas são cruciais para a homogeneidade no amassamento dos aglomerantes.
Norma NB-1:
A a água destinada ao amassamento do concreto deverá ser isenta de teores prejudiciais, portanto potável.
O índice de Alcalinidade / Acidez (PH) deve oscilar entre 5,80 e 8,0 e respeitem os seguintes limites máximos:
- Matéria orgânica (expressa em oxigênio consumido): 3mg/l
- Resíduo sólido: 5000mg/l
- Sulfatos - expresso em ions SO4: 300mg/l
- Cloretos - expressos em ions CL: 500mg/l
- Açúcar: 5mg/l
As impurezas e os sais dissolvidos na água , quando em excesso, podem ser nocivos para os aglomerantes utilizados na preparação de concretos e argamassas.
Não poderão ser usadas as águas:
- águas selenitosas - aquelas que contêm gesso - pois sua ação é extremamente corrosiva.
- águas sulfatadas, as águas ácidas dos terrenos de turfas e despejos,
- águas correntes que contêm ácidos carbônicos, são águas que destroem os cimentos.
- água do mar
- águas pluviais procedentes de terrenos não calcários
- águas que contêm matérias químicas ou orgânicas que desagregam ou decompõem os aglomerantes tanto mais rápido quanto maior seja a dosificação em cal dos mesmos
Excesso de água
A água excesso (mesmo limpa, potável e dentro dos padrões da NB-1) é prejudicial à resistência dos concretos e argamassas, pois cada litro de água em excesso destrói de 2 a 3 kg de cimento.
Em construções realizadas nas áreas sujeitas a águas agressivas, analises físico-químicas da água são cruciais para manter a qualidade do concreto.
Como pode-se observar, a necessidade de usar água de qualidade e na quantidade correta acarreta custos consideráveis ao longo da obra. |