A queda do preço dos veículos usados entre 2008 e 2010
Depois de setembro de 2008, quando a crise financeira iniciada pela desconfiança do mercado de crédito chegou ao Brasil, os bancos e as financeiras ficaram sem recursos para financiar veículos usados, e durante alguns meses os financiamentos caíram mais de 60%.
Quase 3 anos depois dessa turbulência, já podemos analisar a reação do mercado e os resultados da crise financeira (pode-se dizer que em abril de 2011, quando essa matéria foi publicada, a crise financeira parece ter acabado).
Até o início de 2011, os valores médios dos veículos usados caíram 18,5%, e a estabilidade no início de 2011 pode ser um sinal de chegou o fim do poço.
Texto: Joel Leite Foto: Divulgação (30-03-11) – Já foi o tempo em que o sujeito comprava um carro usado e o vendia depois de um ano com lucro. Isso aconteceu no Brasil, n
Durante a década de 1990 e depois, até 2005 - 2006, a maioria dos compradores de carros novos olhavam para suas aquisições como veículos e também como investimento, pois imaginavam lucrar com a venda do veículo 1 ou 2 anos após a aquisição do mesmo. Mas a crise de 2008 acabou de vez com essa especulação, pois alterou de forma decisiva o mercado de carros novos. A facilidade gerada para comprar carros novos jogou o preço dos veículos usados lá embaixo, isso em 2009 ainda, com a queda do IPI. Desde então, mais 5 milhões de veículos novos entraram no mercado, e a capacidade de endividamento da classe média ainda permite avançar no financiamento de veículos novos.
Com uma nova classe média próximo do sonho do carro novo, o financiamento do veículo usado ficou relativamente mais caro, visto que em algumas compras de carros novos as montadoras oferecem juros zero. Na maioria das vezes o juro não é exatamente zero, pois um pouco dos juros "escondidos" é disfarçadamente inserido em algumas taxas na hora de retirar o veículo novo da loja. Mas mesmo com essa "maquiagem" no juro "ZERO", a aquisição de veículos usados acaba saindo mais cara que um veículo novo, no que diz respeito ao valor do "dinheiro" envolvido.
Não devemos esquecer que um financiamento é, em parte, a compra de dinheiro, e dessa forma o dinheiro fica mais caro para quem paga um juro maior. Esse dinheiro é garantido pelo bem, e no caso do carro novo, ele é melhor avaliado em carro de recolhimento em caso de não pagamento do financiamento, e essa avaliação é um dos motivos do juro do financiamento do usado ser maior que o carro zero.
Essa lógica empurra o valor dos usados ainda mais para baixo, e aumenta a demanda do veículo novo. Por isso em 2011 já temos mais de 50 marcas de fabricantes entregando veículos novos no Brasil, e vão chegar novos fabricantes (chineses, principalmente).
Observando o patamar atual, percebe-se que a tendência é que os veículos usados continuem a cair. Vamos entender melhor como começou a queda nos preços dos usados:
Nos quatro primeiros meses da crise, entre outubro de 2008 e janeiro de 2009 os preços dos usados recuaram -8,5%. Receosos com a crise, com as torneiras das financeiras fechadas e descapitalizados, as lojias de carros pararam de comprar.
Isso congelou o mercado e derrubou ainda mais os preços. Quem precisava vender aceitava qualquer proposta, e muitos veículos foram deixados na loja por metade do valor da tabela.
Quando o governo federal percebeu o tamanho da crise que ameaçava afetar a indústria brasileira (com risco de aumento do desemprego 1 ano antes das eleições presidenciais de 2010), medidas urgentes foram tomadas.
Reduziu-se o IPI em vários setores, desde a construção civil, produtos domésticos da linha branca (fogões, geladeiras e lavadoras) e veículos novos. Aos poucos o crédito voltou a ser oferecido e quem não comprou um carro usado no início de 2009 se viu diante da facilidade de conseguir um carro novo.
Com essa virada nas vendas dos carros novos, o mercado de usados nãos se recuperou mais da violenta queda no último trimestre de 2008.
Aos poucos o mercado se adapta a esse novo patamar. Está mais caro para o dono do carro seminovo ou usado trocar pelo carro zero, e a queda dos preços permitiu a entrada no mercado de um consumidor que antes não tinha poder aquisitivo para isso.
O fato é que nos próximos anos (2012-2014), se nenhuma outra crise financeira afetar o crecimento da economia ou a oferta de crédito, quase 10 milhões de veículos novos chegarão ao mercado. Isso com certeza não vai facilitar a recuperação do mercdo de carros usados. E principalmente vai dificultar a vida dos motoristas que já estão presos em engarrafamentos nas grandes cidades do Brasil - afinal de contas, em quais ruas todos esses veículos novos vão rodar?
Está na hora das financeiras começarem a oferecer mais linhas de crédito para HELICÓPTEROS. Em 720 meses sem entrada até eu posso pensar em comprar o meu veículo voador...
|